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Receita de Broa de Milho: Sabor, História e Tradição em Ouro Preto


Cesta de vime com broas de milho e café fumegante em mesa de madeira. Ao fundo, duas mulheres desfocadas conversam diante de janela com vista para montanhas.
Broinhas de Fubá Tradicionais

Olá, viajantes e amantes da nossa querida Minas Gerais!


Quem já caminhou comigo pelas ladeiras de Ouro Preto sabe: a gente se alimenta de muita história, arte e cultura, mas chega uma hora que o corpo pede uma energia, não é? E não existe nada que combine mais com uma pausa nas nossas montanhas do que um café coado na hora acompanhado de uma deliciosa broa de milho.


Mas você sabia que, ao morder esse pedacinho dourado de Minas, você está provando séculos de história? Hoje, quero levar vocês para uma viagem no tempo através do paladar: vamos conhecer as origens curiosas dessa quitanda e, ao final, vou compartilhar a receita perfeita para você preparar essa delícia aí na sua casa.


A Origem da Receita de Broa de Milho: Um Encontro Luso-Brasileiro


Muitos visitantes me perguntam sobre a origem das nossas quitandas. A verdade é que a broa de milho é um símbolo perfeito da nossa formação cultural.

A técnica de fazer broa (aquele pão denso, rústico e rachado no topo) vem de muito longe, de tradições ibéricas pré-romanas. No entanto, lá em Portugal, ela era feita originalmente com centeio ou cevada. Quando os portugueses chegaram ao Brasil e se interiorizaram, encontraram o milho em abundância — um ingrediente sagrado para os povos indígenas e fundamentais na dieta desenvolvida pelos africanos.

Foi aqui, no "ouro" das nossas terras, que a técnica portuguesa se casou com o fubá (farinha, em quimbundo). Nascia assim a broa de milho mineira: uma adaptação criativa que se tornou identidade.


Ouro Preto e a Broa: Um Laço Documentado desde 1733


Como guia, eu adoro caçar documentos que provam o que a gente sente no dia a dia. E Ouro Preto, a antiga Vila Rica, guarda a certidão de nascimento de muitos dos nossos costumes.

Vocês acreditam que o primeiro registro histórico da broa no Brasil foi encontrado aqui? É verdade! Em documentos datados de 1733, em plena Vila Rica, um morador chamado Domingos de Souza Braga registrou em seu caderno de despesas a compra de “treze broas”.

Isso confirma que, enquanto as igrejas barrocas eram erguidas e o ouro escoava pela Estrada Real, a broa de milho já estava lá, alimentando o povo, consolidada como um alimento essencial no século XVIII. Ela é tão histórica quanto a Praça Tiradentes!


A Broa como Patrimônio da Culinária Mineira


Hoje, a broa não é apenas comida; é memória afetiva. Em Minas Gerais, e especialmente aqui em Ouro Preto, o preparo da broa envolve rituais. Em muitas casas ela ainda é assada em forno a lenha, algumas descansam sobre folhas de bananeira, e volta e meia o cheiro do fubá torrando invade as ruas de pedra.

Para nós, a culinária mineira é um jeito de acolher. A broa representa a simplicidade da roça que resistiu ao tempo e ganhou as mesas mais sofisticadas. É o sabor da resistência, da adaptação e, claro, da hospitalidade.


A Receita de Broa de Fubá


Se tem uma coisa que aprendi nas cozinhas de Ouro Preto é que broa boa pede paciência e carinho. Essa receita aqui não é qualquer uma, não. É a famosa broa escaldada, aquela que leva polvilho e fica com o miolo puxa-puxa, a casca crocante e o melhor: é sem glúten.


E tem um segredo na hora de modelar que vou ensinar pra vocês... é pura "engenharia" mineira!


Porções: 24 un. / Tempo de preparo: 1h20min


Anote o que vamos precisar:

  • 1 xícara de fubá (aquele fininho, mimoso - 150g)

  • ¾ de xícara de polvilho doce (o segredo da textura! - 110g)

  • ½ xícara de açúcar (100g)

  • ½ colher (chá) de sal (3g)

  • 1 e ¾ de xícara de leite integral (420ml)

  • ¼ de xícara de óleo de girassol (60ml)

  • 2 ovos médios

  • ½ colher (sopa) de fermento químico (para bolo)

  • Erva-doce a gosto (opcional, mas dá aquele cheirinho de roça)

  • Fubá extra para modelar


Mão na massa (e no fogão!):


  1. O "Angu" Inicial: Em uma panela, coloque o fubá, o polvilho, o açúcar e o sal. Misture os secos. Agora, junte o leite e o óleo. Leve ao fogo médio e prepare o braço: tem que mexer sem parar!

  2. O Ponto Certo: No começo parece que vai empelotar, mas confia na Sueli. Continue mexendo. A massa vai engrossar até virar uma espécie de polenta pesada. O ponto é quando ela começar a soltar do fundo da panela (no meu fogão levou uns 10 minutinhos).

  3. Paciência Mineira (Esfriar): Tire a massa da panela e coloque numa tigela. Agora é hora de esperar esfriar completamente. Se estiver com pressa, pode colocar na geladeira.


    Dica importante: Se colocar o ovo na massa quente, ele cozinha e a receita desanda!


  4. A Mistura Final: Massa fria? Ótimo. Adicione o primeiro ovo e a erva-doce. Misture bem com a mão (vai grudar, é assim mesmo, mas se tiver uma batedeira de bolo, ajuda bastante). Depois, coloque o segundo ovo e amasse até ficar homogênea e bem grudenta. Por fim, adicione o fermento e misture bem.

  5. O Pulo do Gato (A Técnica da Caneca): Aqui está o segredo para a broa ficar redondinha sem melecar a mão toda!

    • Unte uma forma grande com óleo e polvilhe fubá.

    • Pegue uma caneca comum e coloque 1 colher de sopa de fubá dentro dela.

    • Pegue uma colherada da massa e jogue dentro da caneca, sobre o fubá.

    • Agora balance a caneca fazendo movimentos circulares (rebolando a caneca!). A broa vai se modelar sozinha e ficar empanada.

    • Vire a caneca na forma e a broa cai prontinha. Repita até acabar a massa.

  6. Hora de Assar: Leve ao forno preaquecido a 180°C. Deixe lá por uns 40 minutos. Quando elas estiverem douradas e cheirosas, pode tirar.

  7. Descanso: Deixe esfriar sobre uma grade (se aguentar esperar) para ela ficar bem crocante por fora.


Dica: Um pedacinho de goiabada, um pedacinho de queijo (ou os dois juntos) sobre a broinha dá um toque todo especial ao sabor final dessa iguaria e você pode adicionar esse detalhe assim que ela sair do forno, ainda quente.


Prontinho! Agora é só passar o café e aproveitar esse pedaço da história de Minas. Me conta depois se a técnica da caneca funcionou pra você!


Venha Experimentar a História com a Sueli Tour Guide


Saber a receita de broa de milho é bom, mas sentir o aroma desse pãozinho saindo do forno enquanto vivenciamos nossa cidade é muito bom.


Quando você vier a Ouro Preto, não quero apenas lhe mostrar os monumentos de pedra sabão. Quero te levar nos lugares onde a tradição ainda é viva, onde a gente pode sentar, partir uma broa com as mãos e conversar sobre a vida como faziam nossos antepassados em 1733.


Está planejando sua visita? Entre em contato comigo. Vamos montar um roteiro que alimente sua alma e seu estômago com o melhor de Minas.


Um abraço e até a próxima prosa!

 
 
 

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