O Que Fazer em Mariana: O Retorno do Órgão Arp Schnitger
- Sueli Maria Rutkowski
- há 9 horas
- 3 min de leitura

Oi, queridos viajantes! Tudo bem?
Quem já passeou comigo sabe o quanto eu adoro mergulhar na nossa história e vivenciar cada pedacinho da cultura mineira. Mariana, a cidade primogênita de Minas Gerais e vizinha da minha amada Ouro Preto, é um daqueles lugares onde o tempo parece caminhar num ritmo mais leve e prazeroso. E há um som por lá que, quando ecoa pelas naves da Catedral da Sé, faz a gente sentir como se o presente e o século XVIII estivessem dançando juntos. É o som maravilhoso do Órgão Arp Schnitger!
Fiquei muito feliz em saber que, após um tempinho de espera, os tradicionais concertos estão de volta! Quero convidar você a refletir e se emocionar comigo sobre esse instrumento que é um verdadeiro coração pulsante da nossa cultura.
Uma Joia do Barroco em Solo Mineiro, em Mariana

Você sabia que esse órgão é um dos tesouros mais preciosos da música barroca no mundo? Ele foi fabricado na Alemanha em 1701, pelo mestre organeiro Arp Schnitger. Lendo o maravilhoso livro "Matriz e Catedral de Mariana: O Órgão Arp Schnitger", de Ivo Porto de Menezes, me deparei com uma frase que define perfeitamente essa maravilha: nosso órgão é "alemão de nascimento, português de adoção, brasileiro de função". Não é poético?
Como eu mesma morei dez anos na Alemanha, confesso que sinto um carinho todo especial por essa conexão tão fantástica com a nossa terra!

Órgãos "Gêmeos": Os registros nessa obra mostram que, em 1701, o mestre Schnitger montou e enviou dois órgãos iguaizinhos para Portugal (cada um com 12 registros, 2 teclados e 1 fole). Um deles ficou na região de Faro, em Portugal, e o outro, nosso presente da Coroa Portuguesa, acabou vindo para a Sé de Mariana em meados de 1752!
Uma Verdadeira Epopeia: Para chegar às nossas montanhas, o órgão viajou de navio até o Rio de Janeiro e depois foi carregado no lombo de burros pela Estrada Real. Imagine só o trabalho!
Raridade Mundial: Existem ainda órgãos Schnitger preservados, mas o de Mariana é o único que está fora da Europa. Incrível, não é?
O Retorno dos Concertos: Uma Compreensão Mais Profunda da História
Para nós e para você, visitante, ouvir esses tubos de flautado ganharem vida é a chance de ter uma compreensão mais profunda e humanizada do nosso passado. Artigos e estudos maravilhosos (como os da Revista Trilhas da História) nos mostram que manter esse gigante tocando é a única forma de preservar sua engrenagem centenária (é isso mesmo, se o órgão não for tocado, ele estraga). A história do Brasil se mantém viva através da música, e a Praça da Sé volta a ter aquela trilha sonora majestosa!
Curiosidades que eu adoro contar nos meus passeios:
Um Segredo Sob a Pintura: A caixa do órgão tem pinturas belíssimas em estilo chinês (chinoiserie), feitas por volta de 1751 e 1752 em Portugal. Mas o fascinante é que, debaixo dessa arte exótica, os restauradores descobriram que existe uma pintura ainda mais antiga!
O Alfabeto da Música: Diferente da nossa nomenclatura musical de origem italiana (Dó, Ré, Mi, Fá...), a grande maioria dos mais de 900 tubos originais do órgão estão marcados com o sistema alemão: A, B, C, D, E, F, G e H!
A Fachada de Hamburgo: A forma como os tubos estão distribuídos, com três torres altas e as outras arredondadas, é uma técnica clássica que os estudiosos chamam de Hamburger Prospeckt (Fachada Hamburguesa). Um pedacinho do norte da Alemanha em Minas!
Sobrevivente Bem Cuidado: Na década de 1980, ele passou por um restauro minucioso feito por uma tradicional firma alemã de Hamburgo (Rudolf Von Beckerath), juntamente com os especialistas maravilhosos do CECOR aqui de Minas Gerais.
Escolha um passeio diferente e tenha um dia memorável!
Se você quiser vivenciar essa experiência, os concertos costumam acontecer nos segundos e quartos sábados de cada mês, sempre às 17h, com venda de ingressos na bilheteria da Catedral no dia da apresentação.
Dica da Sueli, sua guia: Chegue um pouquinho mais cedo para admirar cada detalhe do altar-mor e da majestosa fachada do órgão antes da música começar. A mistura do douramento barroco com o som do Schnitger é de arrepiar e rende memórias inesquecíveis.
Quer personalizar seu roteiro e incluir esse concerto maravilhoso na Sé de Mariana? Entre em contato comigo e vamos planejar um passeio feito especialmente para você!
Um abraço carinhoso,
Sueli Rutkowski
Guia de Turismo Regional Minas Gerais e Nacional
Fontes e Referências para os Curiosos:
Livro: "Matriz e Catedral de Mariana: O Órgão Arp Schnitger", de Ivo Porto de Menezes.
Artigo: "O Órgão Arp Schnittger da Catedral de Mariana" (Revista Trilhas da História).





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